Arte e Cultura do Brasil – O que é Arte?

Categoria Arte

O termo Arte deriva do latim Ars, ou Artis, cujo significado é Habilidade. Arte, em palavras simples, é o ato de fazer, produzir ou criar algo. A arte é mutável, ou seja, cada sociedade, cultura e época produz estilos artes diferentes. Apesar do conceito atual de arte nos remeter a algo que serve para ser apreciado ou decorar, seu sentido é muito mais amplo e antigo, pois a habilidade de criar objetos e ferramentas de sobrevivência que o Homem primitivo possuía também é arte! Desde uma faca confeccionada com osso até os desenhos encontrados nas paredes das cavernas.

A arte é também multifuncional: ela pode ter um sentido sagrado, quando religiosa. Pode ser uma crítica a algo. Pode ser simplesmente decorativa também. Ela expõe as ideias e pensamentos de seu criador fazendo uso de estilos e estéticas distintas. O Estilo é a sua forma e a Estética é o seu fundamento.  Cada movimento artístico ou escola literária representa a interpretação dos cenários, objetos, cotidiano e visão de mundo de determinada sociedade ou grupo.

Mosaïque de l'impératrice Zoé, Sainte-Sophie (Istanbul, Turquie)

Arte Bizantina de Mosaico

Dentre os inúmeros movimentos de arte, podemos citar o Arcadismo, a Arte Bizantina, a Arte Cristã Primitiva, a Arte Egípcia, a Arte Grega, a Arte Romana, o Expressionismo, o Movimento Barroco, o Minimalismo, a Art Déco, a Art Nouveau, o Movimento Renascentista, o Romantismo, o Futurismo, o Dadaísmo, o Cubismo e o Tropicalismo, dentre muitos outros.

A arte pode se manifestar através da simbologia dos objetos e esculturas, através de uma performance artística, através da música, através dos sinais e de muitas outras maneiras. É possível criar pontes que conectam as diversas manifestações artísticas. Os aspectos de um povo podem ser conhecidos por nós através da arte, e por isso a sua preservação é de extrema importância. Ela revela a pluralidade da humanidade através da multivisão da mesma. A arte não possui início e nem fim, pois ela é o meio.

Menino com Cachimbo, Pablo Picasso

Expressando suas emoções, contando suas histórias e demonstrando os seus valores, o ser humano, através da arte, foi moldando a sociedade. A arte evoluiu a tal ponto que hoje ela se faz presente em muitas coisas do nosso cotidiano que nós não nos damos conta! Os filmes que vemos na televisão – a própria televisão também, de certa maneira – os shows teatrais, os espetáculos musicais, as esculturas, a jardinagem, as arquiteturas das construções, as roupas que nos vestem, as diversas gastronomias dos povos, tudo isso é arte expressa, cada coisa tem um valor específico, um significado, um propósito. Quando estamos tristes podemos escutar uma música ou ler um poema. Podemos assistir ao filme que nos agrada no cinema ou em casa. Se queremos nos emocionar também! Podemos nos expressar escrevendo, compondo uma música, atuando.

Vasos Indígenas de Cerâmica

 

Arte e Cultura do Brasil

 

O Brasil hoje conta com 17 bens culturais e naturais tombados pela UNESCO. O Cristo Redentor faz parte das Sete Maravilhas do Mundo Moderno. A cultura brasileira é riquíssima, graças à miscigenação das culturas indígenas, africanas, europeias, latino-americanas e asiáticas da nossa sociedade.

Na artes cênicas brasileiras destacam-se as danças, o teatro e os espetáculos circenses. Segundo os documentos e arquivos históricos, o padre José de Anchieta fez uso da arte teatral para atrair a atenção e ganhar a empatia dos índios, e catequizá-los. Nos séculos posteriores o teatro brasileiro se diversificou com peças espanholas e portuguesas trazidas pelos colonizadores.

Já as danças brasileiras receberam e ainda recebem influências vindas dos mais diversos países. As danças indígenas se misturaram às africanas, europeias, orientais e árabes, dando origem aos mais diversos estilos, como o Samba, o Frevo, o Baião, o Maxixe, a Gafieira, o Xaxado, o Forró, o Axé e o Fandango, por exemplo. Muitas dessas danças são folclóricas e tradicionais.

Frevo: Ritmo e Dança Pernambucanos

Nas artes visuais brasileiras destacam-se as esculturas, artesanatos e danças das mais diversas etnias indígenas. Cada região brasileira possui arquiteturas, decorações, modas e artesanatos distintos. Nas regiões Sul e Sudeste, como em Minas Gerais e Santa Catarina, por exemplo, destacam-se as vasilhas, as jarras, os potes e as panelas feitas de barro, além dos utensílios feitos com folhas de bananeira. Também ganham destaque as colchas e tapetes confeccionados em tear manual e os artesanatos feitos de minérios, como os talhados em pedra-sabão.

Na região Norte o bordado é bastante popular, e as cerâmicas de estilo único, com influência indígena, ganham destaque, como o estilo marajoara e o tapajônico. No estado do Amazonas, por exemplo, as artes confeccionadas com madeira, metais preciosos e sementes são bastante característicos da região.

figuras-indígenas

Figuras Indígenas

Tapeçarias e outros trabalhos feitos com madeiras, sementes, frutas e barro, como os animais de porcelana e moringas de barro marcam presença na região Centro-Oeste, como nos estados de Mato Grosso e Goiás. O estado do Ceará ganha destaque com a renda de bilro. Objetos feitos com fibra de algodão, trançados de palha, bambu, carnaúba e cipó também são característicos dessa região.

As artes plásticas no Brasil ganharam impulso na Semana de Arte Moderna de 1922. Dentre os artistas dessa época, destacam-se Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e Portinari, que ganharam projeção internacional, além de muitos outros.

 

 

Semana de Arte Moderna

 

A Semana de Arte Moderna de 1922 foi um evento bastante revolucionário para a época, pois desafiou os conceitos elitistas de arte. A estética que buscava a perfeição, cujos quadros sempre procuravam retratar a realidade como uma fotografia, foi muito apreciada no século XIX. Entretanto, alguns intelectuais brasileiros sentiam que era preciso buscar novas formas de expressão artística. Estes não sabiam ao certo como isso deveria ser feito, mas sentiam que era preciso haver mudanças inovadoras, abandonando assim valores e conceitos antigos de estética, muito apreciados pela elite brasileira. Na Europa, durante essa época, novas tendências artísticas estavam surgindo, mas a elite brasileira – principalmente as paulista e carioca – devido ao conservadorismo, não as compreendiam e as rejeitavam.

Na literatura, alguns anos antes de 1922, as críticas aos conceitos antigos ganharam força, destacando-se nomes como Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e Guilherme de Almeida. Anita Malfatti era um dos artistas que buscavam a inovação, e realizou a sua primeira exposição modernista no ano de 1917, dando força à busca pela inovação na pintura. As obras de Malfatti receberam influência de diversos estilos artísticos, como o Cubismo, o Futurismo e o Expressionismo – ainda desconhecidos por muitas pessoas – o que causou um choque na sociedade brasileira da época. O escritor Monteiro Lobato, de mentalidade conservadora, lançou diversas críticas à artista, e esse episódio serviu como “combustível” para a futura Semana de Arte Moderna vir a surgir.

Modernistas em 1922

Era uma época no Brasil onde as cidades se industrializavam e se urbanizavam cada vez mais, e as vanguardas europeias ganhavam cada vez mais espaço. O Rio de Janeiro era a capital brasileira, e ditava muitos dos costumes culturais. A Semana de 22 veio para quebrar os conceitos conservadores brasileiros. Seu início se deu no dia 11 de fevereiro de 1922, no antigo Theatro Municipal de São Paulo, e sua exposição ficou aberta ao público nos dias 13, 15 e 17.  A repercussão causada por ela marcou as décadas seguintes, tanto nas artes visuais como na arquitetura e nos futuros movimentos artísticos.

Abaporu, Tarsila do Amaral

Os artistas modernistas buscavam ideias inovadoras, misturando os estilos vanguardistas europeus com a arte brasileira. A insatisfação do público foi geral, como já era de se esperar. As críticas foram ferrenhas, mas isso não freou o movimento que buscava o progresso. Incompreendida em sua época, a Semana de 22 só teve sua importância constatada ao longo do tempo. Outros movimentos surgiram mais tarde, inspirados na Semana de Arte Moderna, como o Movimento Antropofágico, o Movimento Pau-Brasil, o Verde-Amarelismo e o Grupo da Anta. Todos estes buscavam uma ruptura com os conceitos ultrapassados e tiveram seus valores reconhecidos, dada sua importância na história da arte brasileira e mundial. O Modernismo provocou mudanças significativas na cultura brasileira.

Tropical, Anita Malfatti

 

História da Arte Brasileira

Para que possamos conhecer a história da arte brasileira é preciso que a gente compreenda como se deu a relação entre os europeus, ao chegarem no Brasil, e os povos indígenas. Estes últimos detinham conhecimentos milenares, como a arte plumária, a arte cestaria, a arte musical e a arte de pintura corporal.

A arte indígena é a continuação das pinturas e demais manifestações da arte rupestre, ou seja, pré-histórica. Os índios ornamentavam seus corpos à base de 3 cores principais: a vermelha, feita com sementes de urucum, a preta, extraída do jenipapo e a branca, extraída da tabatinga. Essas pinturas permitiam que cada membro da tribo pudesse ser identificado de acordo com o grupo social que ele pertencia. Portanto, o “povo comum”, os guerreiros e os nobres tinham suas respectivas pinturas.

Os povos indígenas procuravam se diferenciar dos animais, modificam parte da natureza para criarem suas próprias culturas e crenças. Os signos e padrões geométricos das pinturas, a cerâmica utilizada no dia-a-dia, as estátuas, as maracas e os enfeites de plumas não cumpriam o mesmo papel e conceito que temos de arte, meramente decorativo. Para os índios, tudo havia um motivo, toda a arte cumpria seu papel ritualístico sagrado.

Os colonizadores não enxergavam o que os índios faziam como arte, devido à diferença entre as visões dos povos. Para os europeus a arte indígena não era muito importante, quanto menos valorizada, ao contrário de hoje em dia. O Brasil era uma terra desconhecida para os colonizadores, servindo como um lugar onde os degredados eram trazidos como forma de sofrerem uma punição. O território foi explorado por aventureiros e colonizadores que queriam obter lucros através da extração de pedras preciosas, plantas e novas terras.

 

Algo que influenciou a civilização brasileira foi também o contato entre os jesuítas e os índios. Os colégios foram as primeiras escolas brasileiras de belas artes. A arte dos jesuítas, dotada de um espírito religioso profundo, contava com afrescos em paredes, a pintura têmpera e a tinta à base de óleo. Esse tipo de arte recebia influência direta dos estilos artísticos europeus, como o Barroco. Os desenhos, gravuras, estampas e pinturas dos artistas – quase sempre autodidatas – feitos no Brasil dependiam dos religiosos que traziam as obras e os estilos de arte da Europa.

No ano de 1637, durante a Missão Holandesa, as terras brasileiras receberam Maurício de Nassau, cuja intenção de sua vinda era a de trazer melhorias para o ambiente cultural do Brasil. Maurício de Nassau trouxe homens cultos e protestantes – assim como ele era – com a motivação de retratarem a colônia portuguesa, ganhando a antipatia dos jesuítas. Muitos holandeses se fixaram na região do Nordeste. As obras geralmente retratavam os nativos, a flora, a fauna e as regiões rurais do Brasil.

Ruínas de São Miguel Arcanjo, no RS

O período Barroco no Brasil teve seu desenvolvimento entre os séculos XVIII e XIX, quando o Barroco europeu já estava em declínio. Há certas diferenças entre o estilo Barroco de acordo com as regiões. As que obteram seu enriquecimento através da exploração da mineração e da comercialização de açúcar -como o RJ, a BA e MG – apresentam obras com detalhes e acabamentos melhores. As regiões menos ricas, por sua vez, apresentam um estilo Barroco mais modesto.

 

O Barroco no Brasil

 

Durante o processo de colonização no Brasil, os jesuítas eram os responsáveis pelo ensino artísticos. Devido às diversas nacionalidades, houve uma grande contribuição para o Barroco Brasileiro, fato que contribuiu para o enriquecimento do estilo. Muitas obras de arte dessa época são anônimas, pois ainda não havia a importância ao artista que há hoje. A arte possuía sentido, causa e temas religiosos, marcando presença principalmente na arquitetura, com pinturas e imagens sacras talhadas em madeira, argila e pedra-sabão.
As igrejas de estilo Barroco apresentavam uma arquitetura modesta na parte de fora, mas seus interiores eram ornamentados e cobertos com ouro. O Aleijadinho é um dos nomes artísticos dessa época que mais se destacam.

Decoração Barroca

O Barroco em Minas Gerais

Por Minas Gerais ser um estado afastado do litoral e repleto de montanhas, o estilo Barroco nessa região precisou adotar soluções condizentes com a sua condição, o que criou aspectos originais no estilo. O artista autodidata Aleijadinho, nascido em Ouro Preto, se destacou na escultura, projetando a Igreja de São Francisco de Assis. Seu pai, o arquiteto Manuel Francisco Lisboa, ensinou o ofício ao seu filho, e também projetou uma igreja, a Igreja da Ordem Terceira do Carmo.

Igreja Barroca em MG

Devido ao relevo acidentado de Minas Gerais, a arquitetura barroca nessa região acabou urbanizando as cidades de uma forma bastante atraente. As igrejas eram construídas nos lugares mais altos, para que todos pudessem vê-las constantemente – uma das formas da religião católica se impor na sociedade.
O barro era o material mais utilizado nas esculturas sagradas, graças à facilidade de mão-de-obra que ele oferece. Já a pedra-sabão foi bastante utilizada na feitura de portadas e frontões das igrejas. No século XVIII o material mais utilizado foi a madeira de cedro – árvore abundante em Minas Gerais.

Igreja em Ouro Preto

 

Vídeos sobre a arte brasileira:

 

 

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