Dragão: a História e Origem Mítica

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Dragão: A História e Origem Mítica

O dragão está entre as criaturas mitológicas mais populares e antigas do mundo. Os contos de dragões estão presentes em diversas culturas, desde a europeia e americana, à chinesa e indiana. Frequentemente presentes em livros, filmes, jogos e programas de televisão, os dragões têm uma rica e longa história, e apresentam diversas formas. Conheça agora um pouco mais sobre o dragão: a história e origem mítica.

A época e o local onde as histórias de dragões surgiram são incertas, mas os antigos sumérios e gregos descreviam enormes serpentes voadoras. Os dragões, como outras criaturas exóticas, eram descritos por vezes como úteis e de proteção, e outras vezes perigosos. Com o advento e crescimento do Cristianismo, os dragões passaram a assumir a imagem de criaturas sinistras, representantes de Satanás. Durante a Idade Média, a maioria das pessoas acreditava que os dragões realmente existiam. O dragão era descrito como um ser enorme, e a crença na sua existência era baseada não apenas nas lendas, mas também em supostas provas que pareciam ser concretas. Durante milênios, os ossos gigantes que ocasionalmente foram sendo descobertos em todo o mundo foram tidos como de dragões, e esta crença parecia lógica para as pessoas antes do conhecimento sobre a existência dos dinossauros.

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As representações mitológicas mais antigas dos dragões datam de aproximadamente 40.000 a.C., em pinturas pré-históricas na Austrália. Comparando a crença do dragão aos mitos semelhantes de outros povos contemporâneos, acredita-se que os aborígenes reverenciavam o dragão como um deus, que teria sido o criador do mundo, sendo visto de maneira positiva pelas tribos.

Apesar da maioria de nós facilmente imaginar um dragão, as descrições e ideias a respeito dos dragões que as pessoas têm variam drasticamente de acordo com a cultura. Enquanto alguns dragões têm asas, outros não têm, por exemplo. Alguns dragões têm a capacidade de falar e soltar fogo, enquanto outros não. Alguns são pequenos, e outros enormes. Há dragões que vivem em palácios o oceano, enquanto outros só podem ser encontrados no interior das montanhas e das cavernas.

Segundo a folclorista Carol Rose, os dragões apresentam características compostas de muitos outros animais, como a cabeça de um elefanta na Índia, a de um leão ou ave de rapina no Oriente Médio, ou até mesmo inúmeras cabeças de répteis, como cobras. A cor do corpo do dragão pode variar entre o verde, vermelho e preto, a até mesmo azul, branco ou amarelo.

O zoólogo Karl Shuker descreve uma diversificada variedade de dragões em seu livro “Dragons: A Natural History”, incluindo hidras, cobras gigantes, dragões-deuses e gárgulas, e também as variantes mais obscuras, como os wverns, basilisks e cockatrices. O que quer que seja, o dragão é claramente como um camaleão, e suas características se adaptam às diversas culturas e literaturas de cada época.

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O dragão continua a capturar a imaginação do público nos filmes e livros de fantasia, aparecendo em praticamente tudo, desde filmes infantis a séries como Game of Thrones, e livros adultos como “O Hobbit”. O popular jogo de RPG Dungeons and Dragons, por exemplo, descreve mais de uma dúzia de variedades de dragões, cujas personalidades são únicas, bem como seus poderes e características.

A História dos Dragões

A palavra “dragão” é originária da palavra grega “drákôn”, cujo significado é algo como “grande serpente”. Em diversas histórias tal criatura guarda objetos de valor, como tesouros, montanhas de moedas de ouro e pedras preciosas, embora isto não tenha muito sentido lógico, já que uma criatura tão poderosa como um dragão não precisaria pagar nada. Na realidade, o tesouro tem um valor simbólico, mas não para o dragão, e sim para os cavaleiros que ousam desafiá-lo.

O dragão é um dos poucos monstros mitológicos que são vistos como oponentes poderosos, temíveis e mortais, diferentemente de outras criaturas, como os elfos, fadas e trolls, que interagem com as pessoas, às vezes prestativamente, e às vezes maliciosamente, mas que não representam grande ameaça.

A Igreja Católica criou lendas de santos justos e piedosos que lutaram e venceram Satanás na forma de dragão. O mais famoso deles foi São Jorge, o assassino do dragão que, segundo a lenda, ameaçava uma cidade. O santo salva uma bela donzela, se protege com uma cruz e mata o dragão. Os cidadãos, impressionados por tamanho ato de coragem e fé, imediatamente se convertem ao cristianismo.

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Diversos estudiosos acreditam que a respiração de fogo dos dragões está associada às representações medievais da boca do inferno. A entrada para o inferno foi, por diversas vezes, descrita como literalmente a boca de um monstro, com chamas e fumaças infernais. Para quem acredita na existência literal do inferno e de dragões satânicos, a associação parece ser lógica.
Se na Idade Média muitas pessoas acreditavam na existência literal dos dragões, hoje isto é um tanto diferente. Entretanto, muitas pessoas acreditam na existência de outras criaturas, como o Monstro do Lago Ness e o Pé Grande, por exemplo. A versão ocidental do dragão é fantasiosa demais para ser levada a sério nos dias de hoje. Com o avanço da tecnologia, hoje temos acesso às imagens de satélites, vídeos e fotos, possibilitando assim que a existência de dragões voadores que habitam os céus da Terra seja considerada apenas um mito.

Entretanto, há apenas alguns séculos, os rumores de dragões foram confirmados por marinheiros que regressaram da Indonésia e relataram o encontro com dragões: os dragões de Komodo, uma espécie de lagarto que pode ser agressiva e até mortal, cujo tamanho atinge 10 pés de comprimento. Os cientistas ocidentais verificaram a existência do dragão de Komodo por volta do ano de 1910, mas as histórias e rumores destas temíveis criaturas circularam muito antes desta data.

Dragão na Mitologia

Os diversos mitos a respeito dos dragões se espalham ao longo da história da humanidade. Na Polinésia, por exemplo, os mitos descreviam grandes lagartos. Já na Índia, eles assumiam formas de crocodilos e serpentes. Os astecas acreditavam em serpentes com plumas e as adoravam como deuses.

No Oriente Médio, o dragão era tido como uma encarnação do mal. A mitologia da antiga Pérsia apresenta diversos dragões, como Azi Dahaka, criatura que roubava gados, destruía florestas e aterrorizava homens. É neste contexto que se surgiu a ideia de que dragões guardavam grandes tesouros, que seriam um prêmio para aqueles que derrotassem as temíveis criaturas.
A crença medieval e cristã de que o dragão é um ser maléfico pode ter surgido na Antiga Mesopotâmia, onde o dragão era associada ao caos. Nos mitos sumérios, os dragões são descritos como criaturas que cometem crimes, motivo pelo qual eram castigadas pelos deuses. Os judeus teriam absorvido essa ideia durante o Cativeiro da Babilônia, motivo pelo qual a crença de que o dragão é um ser maléfico tenha chegado à Europa.

Na cultura chinesa, os dragões estão presentes desde antes da invenção da escrita, sendo considerados um símbolo nacional. Tais criaturas seriam dotadas do poder de prever o clima, já que eram tidos como os responsáveis pela ocorrência das chuvas. Por este motivo, os dragões chineses estão associados à água e à fertilidade nos campos naquele país. Entretanto, os dragões poderiam causar destruição, caso ficassem enfurecidos, resultando em grandes tempestades. A mitologia chinesa se refere aos dragões como “long”, dividindo-os em quatro tipos: espíritos da terra, dragões imperiais, guardiões de tesouros e celestiais. No japão, as lendas sobre os dragões têm papeis semelhantes.

As lendas dos dragões, de uma forma ou outra, duram milênios. Através da ficção e fantasia, eles continuam a habitar a nossa imaginação coletiva, não demonstrando sinal algum de que irão desaparecer. Com este artigo, esperamos contribuir para quem tem curiosidade em saber mais sobre o dragão: a história e origem mítica.

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